
Estagnado
No inconsciente repousa, inconstante e improvável,
um desejo
profundamente real
e dolorosamente irrealizável
Dorme entre sonhos e pesadelos
de um futuro que nunca virá
além de dentro de uma mente cruelmente masoquista
E absorta em não realidade, conformada
de sua não possibilidade
de sua não condição
de sua não vida
Como se uma única parte, extremamente pequena,
mantivesse as funções vitais
por uma questão obviamente instintiva
e incontestavelmente inútil
A morte não se resume
À não função vital,
Á não regeneração celular
Á não possibilidade de mutação
Talvez venha antes,
quando as lágrimas já não fazem mais sentido;
quando os medos tornam-se companhias
na escura solidão resignada
de pensamentos lamacentos
meticulosamente planejados
para tornar a dor real
menor do que a dor psíquica
A morte é mais
e mais sensível que o toque
e vem quando se decide que venha,
quando a morfina
passa a fazer parte do organismo,
quando os poros entopem de angústia,
quando o torpor é mais poderoso
que toda a vontade antes regente;
quando a dor
é maior que a prece,
maior que a fé
ou maior que a vontade de te-la de volta
A morte não é
a ausência de dor,
nem de possibilidades,
nem de felicidade
é só uma ausência
numa constante infinita
sem saída
e sem explicação.
Ingrid Oliveira
06/07/09