
Desafogar
O tempo cura ou destrói tudo?
E o destruir de tudo
é ruína?
é tragédia?
é o pó?
Caminho em pensamentos vagos
para esquecer a dor
mas ouço seus passos
a me acompanhar
e vem
sedento de nada, como eu
bebo de paixões alheias
quase a me afogar
numa golada em amores falsos
que se fecham sob pilhas de celulose
Órgãos partidos, defeitos nus
crises torrenciais
dores exponenciais
partindo, quebrando, moendo...
enquanto tentamos manter a ilusão
de ainda haver ar
sob toda essa água
e permanecemos
imersos na não gravidade
do acaso.
Ingrid Oliveira
08/07/09
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