12 junho, 2009

Receita de clonagem


Alquimia

Quem é você?

35 l de água
20 kg de carboidrato
4 l de amônia
1,5 kg de cálcio
800 g de adenosina
250 g de sal
100 g de nitrogênio
80 g de enxofre
7,5 g de flúor
5 g de ligas metálicas
3 g de silicone
15 g em porções de materiais

São estes os componentes químicos de que humano adulto é feito.
E ainda assim ninguém conseguiu "criar" um homem.

Será que não é porque está faltando algo?

O que faz de nós mais do que componentes químicos?
O que faz de nós mais do que matéria-prima com embalagem decorada?
O que faz de você alguém diferente de mim se somos moldados a partir da mesma argila?

Aprenda bem a receita.
Estude bem os ingredientes.
Mas antes pense...
Será o suficiente só criar um ser humano?
E se o fizesse não desejaria alterá-lo, melhorá-lo, aperfeiçoá-lo?
E quais seriam os seus critérios de perfeição?
Independente da existência de Deus a Natureza possui Leis perfeitas.
Tente.
E quando estiver quase próximo da prova...
Ainda assim faltará algo.

Nada se cria, mas talvez nem tudo se transforme.

Ingrid
20/06/06

Os pesadelos sempre parecem mais reais que os sonhos


Acordar no pesadelo

Um gota
na escuridão
o eco do silêncio
num manto negro
imensidão enclausurada
Uma vela ilumina
pouco espaço ao meu redor
à direita um vulto
medo e frio, qual será pior?

Há horas aguardo
desde que acordei
nenhum ruído, nem idéia
é o resquício do que sei

Me levanto vagamente
e caminho passo a passo
pedras e umidade
na parede em que me aparo
sinto-a com o tato
pois quase não há visão
enfim uma novidade
em meio a solidão

Percorro-a com as mãos
e sigo a construção
limo entre os dedos
e estranhamente
agradável sensação
Defino o espaço
nove por nove
é o que tenho
o tamanho do fim que meço

Enquanto andava
tocava com os pés nus o chão
frio e duro
um corte, nada sinto
Sento-me novamente
agora em um novo canto
A sensação é a mesma
o escuro ainda é um manto

Me deito no chão imundo
Um lágrima que não sai
espero algumas horas, enquanto
a luz da vela se esvai.

Ingrid
12/abr/06

Não há como manter a luz sempre acesa


Escura insconsciência

Lugares não acessíveis
Onde me escondo, estudo
Arquivos restritos
Locais proibidos

Onde o pó se mistura com a lama
E a água da chuva cai
O frio agora é hipotermia
A proteção a mim negada
Tudo exatamente como eu temia

Sou o conjunto de fotos na lixeira
De lembranças esquecidas
Memória inadvertida
Que aos mortos e enterrados
Sem aviso ressuscita

Jogo-me em seu abismo
No seu fim: nenhum começo
Nada há a me oferecer
No entanto eu desejo

Só porque não posso ter
Só porque é impossível
Porque é irreal
E porque não faz sentido

Excluo-te e incluo
Sem ordem aritmética
Meu ritmo, descompasso
Sem função, sem ética.

Direito conquistado
Não é direito
Agir mesmo com dúvida
É acerto
A tese que comprova
Traz alento
Ao que não tem prova
Há tormento.

Meu desalento é meu desejo
Meu ócio é meu movimento
Em direção contrária
Afasto-me inconscientemente
Para não ser
Devorada pela consciência
Que insiste em se manter
Inconsciente.


Ingrid
26/jun/06

Tem certos cortes que ninguém mais pode estancar



Marés e sal

Sinto a distância entre eu e o horizonte...
E ainda assim parece perto...
Aonde o Sol vai se esconder...
Sem certezas...nova noite...nova lua...
Algumas rosas...seu perfume...desconheço...
Seus espinhos me são mais familiares...
E em minha pele...corte...
Pra sentir, lembrar que estou viva...
Vermelho vivo...uma gota...
Só pra me lembrar
Da cor da rosa...
Aquela que é especial...
Aquela da qual conheço o perfume.

Ingrid
3/abr/06

Quando se segue sozinho nunca se pega o caminho errado

Pedaço de mapa


Costumava ter um pedaço de plano
E não há como seguir um novo caminho sem abandonar outro
Novos mapas e uma velha bússola
Qual peso indica a medida ideal?
Talvez tenha percebido que precisasse voltar
e que pros seus limites estava longe demais
e sem guarda-chuva como sempre...
e nestes dias sempre chove!
Talvez não tenha ido longe o suficiente
pra saber se era o melhor caminho
Sei que caminhou a passos largos, confiante e sem destino
Deixou pegadas sobre as flores pisadas...
sem culpa e sem maldade..agora eu sei
A injustiça é o teor bruto do sentimento sincero não compartilhado
e ainda assim é puro
Alagado de esperanças caminha sem se afogar
Entre dias de cinza escuro
e outros em tons de laranja lá pras seis da tarde
Se a saudade apertar...como eu quisera...
Lembranças de momentos simples e preciosos
Alguns olhares de certezas
Algumas sombras de dúvidas
Muitas gargalhadas desprecupadas
Dois pólos com carga negativa
repelem-se...é fato
Destinos traçados por forças imutáveis
e ainda assim
a energia contida...
embora sujeita a mudanças...
agora encontra-se lá...
da mesma forma...
incondicional.

Ingrid
11/abr/06

A busca pela dor compartilhada é maior que pela redenção


Âmnio

Um segmento natural
Uma coisa estranha, mas natural
De fato uma mutação constante
Me mudou até o semblante
Estranhas sensações compartilhadas
Nas entranhas densas já se vê luz
E alguns barulhos estranhos
Que não pode ouvir direito
Um destino certo e inevitável
Dor com sabor doce
E aguardada com ansiedade
Embora mais próximo impossível
sinto que estará mais próximo quando
não mais for parte de mim
e sim parte do mundo
De quais origens genéticas sairão tuas asas?
Não sei,
Mas já enche de paz minha vida
e de luz a minha alma...
Enquanto imerso na água
Mal sabe das dores do mundo
Ou talvez
Eu não saiba das dores e solidão
do escuro dentro de mim
em que está agora...
E aguarda a liberdade e a luz
Enquanto isso aguardamos...
Ambos imersos em hormônios e sonhos.

Ingrid
05/out/2007