
Acordar no pesadelo
Um gota
na escuridão
o eco do silêncio
num manto negro
imensidão enclausurada
Uma vela ilumina
pouco espaço ao meu redor
à direita um vulto
medo e frio, qual será pior?
Há horas aguardo
desde que acordei
nenhum ruído, nem idéia
é o resquício do que sei
Me levanto vagamente
e caminho passo a passo
pedras e umidade
na parede em que me aparo
sinto-a com o tato
pois quase não há visão
enfim uma novidade
em meio a solidão
Percorro-a com as mãos
e sigo a construção
limo entre os dedos
e estranhamente
agradável sensação
Defino o espaço
nove por nove
é o que tenho
o tamanho do fim que meço
Enquanto andava
tocava com os pés nus o chão
frio e duro
um corte, nada sinto
Sento-me novamente
agora em um novo canto
A sensação é a mesma
o escuro ainda é um manto
Me deito no chão imundo
Um lágrima que não sai
espero algumas horas, enquanto
a luz da vela se esvai.
Ingrid
12/abr/06
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