12 junho, 2009

Não há como manter a luz sempre acesa


Escura insconsciência

Lugares não acessíveis
Onde me escondo, estudo
Arquivos restritos
Locais proibidos

Onde o pó se mistura com a lama
E a água da chuva cai
O frio agora é hipotermia
A proteção a mim negada
Tudo exatamente como eu temia

Sou o conjunto de fotos na lixeira
De lembranças esquecidas
Memória inadvertida
Que aos mortos e enterrados
Sem aviso ressuscita

Jogo-me em seu abismo
No seu fim: nenhum começo
Nada há a me oferecer
No entanto eu desejo

Só porque não posso ter
Só porque é impossível
Porque é irreal
E porque não faz sentido

Excluo-te e incluo
Sem ordem aritmética
Meu ritmo, descompasso
Sem função, sem ética.

Direito conquistado
Não é direito
Agir mesmo com dúvida
É acerto
A tese que comprova
Traz alento
Ao que não tem prova
Há tormento.

Meu desalento é meu desejo
Meu ócio é meu movimento
Em direção contrária
Afasto-me inconscientemente
Para não ser
Devorada pela consciência
Que insiste em se manter
Inconsciente.


Ingrid
26/jun/06

Um comentário:

  1. Did,
    Extravar pela escrita é uma das melhores terapias que conheço!!
    Seu dark blog tá sinistro!! Amei.
    Beijos e não desista dele.

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